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O Instagram e a “positividade tóxica”

Imagine viver num local onde só pudesse transbordar felicidade!

 

Quase que afirmo que, inicialmente, você iria querer viver nesse local. Mas, alguns estudos científicos elaborados por especialistas, chegaram a uma conclusão bem diferente.

 

A imposição do pensamento positivo como única solução para os nossos problemas – por contraponto à demonstração de emoções negativas – é conhecido como “positividade tóxica” e, de acordo com um artigo acadêmico publicado recentemente pela NEA (Associação Nacional de Educação dos EUA, em https://www.nea.org), quando uma pessoa é obrigada a se sentir otimista e não consegue, tende a enfrentar uma sensação de frustração e, consequentemente, tornar essas emoções negativas ainda mais fortes.

 

Algumas redes sociais transformaram-se em proliferadoras de uma positividade prejudicial, ao projetar vidas alegres e perfeitas nos perfis dos seus usuários, ao mesmo tempo que contribuem para que esses ignorem uma realidade bem mais ambígua.

 

O pensamento positivo (centrado nos benefícios de demonstração de uma perspectiva otimista na abordagem aos problemas), exige a positividade das pessoas, independentemente dos desafios que elas enfrentam, o que potencialmente recalca as emoções e as dissuade de buscar apoio social.

 

As redes sociais, sobretudo os perfis que projetam vidas perfeitas, contribuem para essa atitude toxica, ao fazer os demais usuários sentirem que precisam estar felizes e manter uma vida equilibrada e bem-sucedida.

 

E isso é especialmente verdade no caso do Instagram, onde convergem os corpos e rostos “perfeitos”, a roupa de moda e os produtos que são tendência, as melhores paisagens e as férias que todos pensam desejar – enfim, um caldo de cultivo ideal para essa toxicidade.

 

Num artigo publicado em 2019 na Forbes, o empresário e acadêmico de Internet Kalev Leetaru, mencionava que, ao efetuarmos uma pequena viagem pelas redes sociais, estas estavam saturadas “com imagens tão perfeitas, em que cada cena representa a vida em seu melhor momento”, que podiam tornar “as pessoas menos felizes quando comparam essas imagens encenadas com as suas próprias vidas”. Leetaru observava a ironia de que, num mundo digital “cheio de ódio e horrores”, o Instagram seja criticado com frequência “por ser muito positivo, feliz e edificante”.

 

Segundo a APA American Psychiatric Association (Associação Norte-Americana de Psiquiatria), é menos provável que as pessoas que se sentem pressionadas a sorrir diante das adversidades, procurem apoio médico e psiquiátrico quando se trata de sua saúde mental, pois “podem se sentir isoladas ou envergonhadas pelos seus sentimentos, o que as dissuade de procurar ajuda porque o estigma inibe a pessoa de procurar um tratamento”.

 

E, se formos além, de acordo com um estudo da Universidade do Leste de Londres publicado na International Journal of Wellbeing, um viés positivo poderia fazer as pessoas que sofreram abusos “subestimarem sua gravidade e permanecerem em seus relacionamentos”. “O otimismo, a esperança e o perdão aumentam o risco de que as pessoas fiquem com seus abusadores e sejam alvo de um abuso cada vez maior”, salienta o estudo.

 

Nem tudo é sempre opulento, grandioso e sorridente. O que se exibe nas redes sociais é apenas uma pequena parte –nem sempre verídica – da realidade.

 

O autor desta sumula encontrou muitos artigos, estudos e referências cientificas a este tipo de problemas.

 

A única conclusão a que chegou, é a de que, caso sinta algum desconforto, por menor que seja, tenha coragem e procure um profissional!
Esse será um ato de inteligência e coragem!

 

António Pinho da Cunha

 

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