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“Façam os liberais chorarem de novo”

Por António Cunha

No momento em que escrevo estas linhas, o mundo ainda não sabe quem será o próximo Presidente dos EUA.

A tensão dos últimos tempos, e esta espera, impulsionou-me a fazer alguma pesquisa sobre os atores políticos locais e, ao mesmo tempo, tentar entender um pouco de como funcionam os vários processos eleitorais naquele país – não por estar a pretender tornar-me cidadão americano – mas por saber que, o que se passa naquela superpotência, tem um impacto considerável no nosso planeta e, consequentemente, nas nossas vidas.

Ouvi e li diversas opiniões de vários jornalistas e comentadores americanos de vários quadrantes e áreas de especialização e, numa dessas pesquisas, um pequeno título no site Washington Post chamou-me à atenção, não por entender que fizesse parte do que eu andava à procura, mas sim, por o dito me ter intrigado.

O título: “Make liberals cry again” became battle hymn of the Republicans under Trump
A autora: Monica Hesse

O título “Façam os liberais chorarem de novotornou-se o hino de batalha dos republicanos sob Trump [a tradução é minha, pelo vale o que vale], publicado a 5 de novembro (hoje), afirma que o slogan “Façam os liberais chorarem de novo” foi encorajado por um dos filhos do candidato Donald Trump num comício em Wisconsin e, que, o dito slogan já se encontra estampado em uma imensidão de objetos, tais como, camisetas, canecas, bonés e macacões infantis e, inclusive, também à venda na plataforma Etsy.

Confesso que, depois de ler o artigo de opinião, fiz algumas pesquisas sobre o tema e apercebi-me que existe mesmo um crescendo de pessoas naquele país que adotaram o dito slogan, o que me deixou, no mínimo, preocupado.

Porquê

Porque, na minha opinião, qualquer campanha eleitoral (em qualquer país e para qualquer nível de gestão) deve-se centrar exclusivamente num projeto que pretende desenvolver, evidenciar as diferenças sobre os demais projetos, apresentar o seu projeto a veredicto e, os votantes aceitarem-no ou não.

Se o aceitarem, então esses candidatos passam à condição de executantes para, num determinado período, transformarem esse projeto em realidade. Mais tarde, os votantes terão oportunidade de avaliarem se esse projeto correspondeu ao que se lhes tinha sido prometido e, sobretudo, se esse projeto trouxe vantagens objetivas.
Simples assim!

Numa campanha eleitoral, não se deve pensar em “competição para ganhar a corrida”, porque:

  • (por exemplo), depois da corrida terminada, a próxima é para se recomeçar do zero ad infinitum, e, sempre somente com esse propósito simples;
  • um ato eleitoral é um palco onde se evidencia a capacidade de alguns representantes da raça humana em conseguirem transformar ideias em propostas para atos importantes que ficarão para um futuro, ou seja, significa a nossa evolução, como espécie;
  • a evolução no homo sapiens sapiens não comporta humilhação;
  • se trata de convencer pessoas sobre ideias.

Ao colocar-se aquele slogan numa balança de comportamento, tem-se a sensação de que há alguém a pretender o poder só pelo poder.

Este tipo de comportamento não parece vir de um dos grandes candidatos à presidência de uma democracia que se orgulha de ter uma constituição que se tornou referência para o mundo republicano, laico e democrata… mas veio!

Sublinho (e subscrevo) aqui, algumas das notas da autora sobre o assunto: [O slogan] não requer um conjunto de posições políticas coerentes, nem coragem de bootstraping [começar um negócio a partir de poucos recursos], nem contenção piedosa. Apenas uma forte vontade de chutar areia na cara de um adversário derrotado.

Apenas diversão e crueldade, ponto final.

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