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A hipocrisia da moral religiosa e o aborto da dignidade humana

Arte por Ina Gouveia, em http://instagram.com/inagouveia

Texto por Nelma Aronia

Por mais que eu tente, não consigo encontrar palavras nem uma teoria que possa explicar, ainda que minimamente, todas as aberrações que temos visto no Brasil. Como se não bastasse o hecatombe decorrente da negligência perante a pandemia do COVID-19, que já passou dos cem mil, temos de lidar com a hipocrisia da moral religiosa que, por caprichos de seus dogmas, tenta arriscar a vida de uma criança, vítima de um sistema de perversão sexual machista, que o próprio sistemas político-religioso ajuda acobertar, ao projetar os holofotes da mídia na criança, quando deveria projetá-los sobre o seu agressor.

O fato é que vivemos numa grande “Lavoura Arcaica” em que a perversão sexual ou molestamento está presente, mas ocultada pela maioria das famílias brasileiras. Os próprios órgãos oficiais notificam que milhares de crianças são violentadas em suas próprias casas, pelos próprios parentes que se calam em nome da “preservação moral da família”. Quantas mães não sabem da violação de suas filhas, mas se calam para não perder seus “bons esposos”, ou porque, elas mesmas também são violentadas? Quantos padres ou pastores, também estupradores, não foram acobertados pelas autoridades religiosas em nome da preservação moral das igrejas? Quantas crianças ou mulheres não foram sacrificadas em nome dessa moral?

Fiquei estarrecida ao ler os recortes de um comentário de um padre que disse nas redes sociais que a criança certamente estava gostando, pois até então, não dissera nada. Fiquei estarrecida com tamanha abjeção, pela ofensa à criança, mas sabemos que, o que está por trás deste comentário é muito previsível. Trata-se de uma projeção de sua fantasia perversa; afinal, “Todo moralista é vigarista” (Machado de Assis).

O mais espantoso é que há quatro anos, uma criança sofria e muitas sofrem violência de toda natureza e no entanto, o Estado não toma conhecimento nenhum de suas existências, mas quando os abutres percebem que podem barganhar algum espaço político, levantam a voz. Onde estava essa gente toda quando a criança ficou órfã?

Definitivamente, “Somos um povo bárbaro” (Herberto Helder). Nossa tradição familiar está assentada na hipocrisia; na sujeição de mulheres e crianças cujos gritos foram abafados em suas casas em favor do sussurro em algumas igrejas e dos gritos catárticos em outras. Nossa dignidade foi sequestrada pelo senhor grotesco em alguma câmera.

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