Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Fale conosco via Whatsapp: +55 71 993340015
No comando: Inusitado

Das 00:00 às 03:00

No comando: Curiosidades da Lusofonia (1)

Das 03:15 às 03:30

No comando: Histórias de Nairzinha (1)

Das 03:30 às 03:45

No comando: Palavras para Imagens (1)

Das 03:45 às 03:59

No comando: Curta (Segunda)

Das 04:00 às 04:30

No comando: Bom Pra Saúde (sexta 1)

Das 04:00 às 04:30

No comando: Ideias e Debates [domingo]

Das 04:30 às 05:20

No comando: Universo em Prosa (Sábado 1)

Das 05:00 às 05:40

No comando: Poeira das Estrelas (Sexta)

Das 05:00 às 05:55

No comando: Musica Fora do Eixo (Domingo 1)

Das 05:00 às 06:00

No comando: Sintonia de Retalhos (Quinta-feira 1)

Das 05:00 às 06:00

No comando: Histórias de Nairzinha (2)

Das 06:30 às 06:45

No comando: Grande Entrevista [sabado]

Das 07:00 às 07:45

No comando: Hora Brasil (domingo)

Das 07:00 às 07:50

No comando: Ideias e Debates [Segunda]

Das 07:00 às 07:50

No comando: Hora Brasil ( Quinta)

Das 08:00 às 08:0

No comando: Curta (quarta)

Das 08:00 às 08:30

No comando: Universo em Prosa (Segunda)

Das 08:00 às 08:40

No comando: Poeira das Estrelas (Domingo)

Das 08:00 às 08:55

No comando: Sintonia de Retalhos (Sábado)

Das 08:00 às 09:00

No comando: Musica Fora do Eixo (Terça)

Das 08:00 às 09:00

No comando: Curiosidades da Lusofonia (2)

Das 09:30 às 09:45

No comando: Palavras para Imagens (2)

Das 09:45 às 09:59

No comando: Contexto (1)

Das 10:30 às 10:59

No comando: Bom Pra Saúde (domingo)

Das 11:00 às 11:30

No comando: Mulheres de Palavra. Tear de Mundos (sábado)

Das 11:00 às 11:59

No comando: Grande Entrevista [domingo]

Das 12:00 às 12:30

No comando: Curta (sexta)

Das 12:00 às 12:30

No comando: Universo em Prosa (Quarta)

Das 12:00 às 12:40

No comando: Hora Brasil (sábado)

Das 12:00 às 12:50

No comando: Poeira das Estrelas (Terça)

Das 12:00 às 12:50

No comando: Musica Fora do Eixo (Quinta)

Das 12:00 às 13:00

No comando: Bom Pra Saúde (terça)

Das 13:00 às 13:30

No comando: Ideias e Debates [quarta]

Das 13:00 às 13:50

No comando: Sintonia de Retalhos (Segunda-Feira)

Das 13:00 às 14:00

No comando: Histórias de Nairzinha (3)

Das 13:50 às 14:00

No comando: Universo em Prosa (Sexta)

Das 14:00 às 14:40

No comando: Grande Entrevista [terça]

Das 14:00 às 14:45

No comando: Poeira das Estrelas (Quinta)

Das 14:00 às 14:55

No comando: Isabella Perazzo em Concerto

Das 14:00 às 14:59

No comando: Sintonia de Retalhos (Domingo)

Das 14:00 às 15:00

No comando: Mulheres de Palavra. Tear de Mundos (quarta)

Das 14:00 às 15:00

No comando: Musica Fora do Eixo (Sábado)

Das 14:00 às 15:00

No comando: Curta (domingo)

Das 15:00 às 15:30

No comando: Bom Pra Saúde (quinta)

Das 15:00 às 15:30

No comando: Curiosidades da Lusofonia (3)

Das 15:30 às 15:45

No comando: Palavras para Imagens (3)

Das 15:45 às 15:59

No comando: Contexto (2)

Das 16:30 às 16:59

No comando: Grande Entrevista [quinta]

Das 17:00 às 17:45

No comando: Hora Brasil (segunda)

Das 17:00 às 17:50

No comando: Curta (sábado)

Das 18:00 às 18:30

No comando: Universo em Prosa (Sábado 2)

Das 18:00 às 18:40

No comando: Grande Entrevista [segunda]

Das 18:00 às 18:45

No comando: Ideias e Debates [sexta]

Das 18:00 às 18:50

No comando: Hora Brasil (Terça)

Das 18:00 às 18:50

No comando: Musica Fora do Eixo (Domingo 2)

Das 18:00 às 19:00

No comando: Sintonia de Retalhos (Quinta-Feira 2)

Das 18:00 às 19:00

No comando: Histórias de Nairzinha (4)

Das 19:30 às 19:45

No comando: Palavras para Imagens (4)

Das 19:45 às 19:59

No comando: Bom Pra Saúde (sábado)

Das 20:00 às 20:30

No comando: Curiosidades da Lusofonia (4)

Das 21:00 às 21:15

No comando: Alok

Das 22:00 às 23:59

Declaração de amor à Língua Portuguesa

Teolinda Gersão
Escritora portuguesa

«Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso, confesso. E eu acabei por escrever a redação que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas, mas as ideias são todas deles. Aqui ficam, e espero que vocês também se divirtam. E depois de rirmos espero que nós, adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.

Redação – Declaração de Amor à Língua Portuguesa

Vou chumbar [reprovar] a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta [cansada] que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito. ”O Quim está na retrete” [vaso sanitário]: “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra [diminuitivo de professora] também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo [bunda (em português de Portugal a palavra “rabo” não é entendida com qualquer conotação pejorativa)].

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex [programa de simplificação administrativa e legislativa do governo português] a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum, o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos diretos e indiretos, ou diretos e indiretos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.

No ano passado, se disséssemos “A rapariga [moça] entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?

A professora também anda aflita. Pelos vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo exceto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar [aturar] até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, contexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha [sem valor], para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, exceto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto [tipo de jogo de múltiplas escolhas]. Embora às vezes até se acerte ao calhas [ao acaso].

Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redações também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero. E pronto, que se lixe [expressão para demonstrar indiferença], acabei a redação – agora parece que se escreve redação. O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impor sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é “bem feita, para não sermos burros”.

E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.

João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática

Deixe seu comentário: